UNITA - ANGOLA
O regime angolano manifestou irritação com algumas empresas baseadas, em Benguela, por terem aceite fazer prestação de serviços para hospedagens, rente-A-Car, e montagem de material para um comício da UNITA, realizado neste final de semana, naquela localidade, em homenagem ao nascimento de Jonas Savimbi.
27/06/2022
No pretérito dia 19 de Junho de 2022, o Secretariado Provincial da UNITA no Cuando Cubando, tomou conhecimento como de sempre, da diabolização da imagem de seu Presidente, o Eng. Adalberto Costa Júnior, na voz do Dr. David Mendes, comentador permanente do programa Revista Zimbo, em virtude de ter recebido o galo branco que lhe foi ofertado pelo povo do Cuando Cubango; pelo que serve-se da presente nota para esclarecer o seguinte:

O galo branco oferecido ao Presidente da UNITA, não pode ser confundido com o galo Negro Símbolo da negritude da UNITA. Uma coisa é uma e a outra é outra!

A côr branca para os povo Bantus, representa o bom senso, o carisma, hospitalidade, boa vontade e alegria do visitado.

Isso significa que quando alguém visita uma comunidade e lhe é ofertado uma galinha branca, cabrito ou ovelha branca, esta pessoa é bem vinda naquela comunidade.

Com isso, queremos advertir/ corrigir o Dr. David Mendes, que não basta ser Doutor, é preciso andar, conhecer, ver, viver e estudar a realidade de cada povo.

Queremos lhe convidar a estudar o mosaico cultura angolano, para estar seguro na interpretação dos usos, costumes e tradições, e com propriedade defender uma determanida tese.

Na cultura Bantu, em particular o povo vangangela a côr branca representa o {impemba}, símbolo tradicional de sorte, bênção, e vitória em julgamento. A côr vermelha, preta salpique e outras (inkula), significam Maldição e condenação em tribunal tradicional.

Para terminar, queremos exclarecer que a moldura humana que acolheu o Presidente da UNITA, aqui no Cuando Cubango, é prova inequívoca do que acabamos de referir acima.

Em suma, a oferta do galo branco, muito longe do que o Dr. David Mendes quiz deduzir, signifia que ACJ, é bem-vindo e acolhido com alegria, na terras de Mweéne Vunonge!

Ao Eng. Adalberto Costa Júnior – Presidente da UNITA, desejamos bom trabalho e esperamos que nos visite mais vezes, na certeza de que o povo do Cuando Cubango está contigo.

Menongue, aos 22 de Junho de 2022.

O Secretário Provincial da UNITA no Cuando Cubango
Em destaque
13/06/2022
07/06/2022
A UNITA tornou pública uma nota de imprensa esta sexta-feira, 10 de Junho de 2022, a todos os angolanos, através do seu Secretariado da Comunicação e Marketing uma nota de imprensa sobre a entrevista colectiva realizada esta quinta-feira, no Palácio Presidência da Cidade Alta, pelo Presidente da República e do MPLA, João Lourenço, onde no documento a UNITA considera que o Presidente da República proferiu ataques baixos que, para o maior partido na oposição angolana, tal postura não dignifica o a figura do Chefe do Executivo angolano.
O Presidente da UNITA, Eng. Adalberto Costa Júnior recebeu em audiência nesta segunda-feira, 6 de Junho de 2022, a Directora Geral da União Europeia p/ África do Serviço Europeu p/ a Acção Externa, Sra Rita Laranjinha.
A Comissão Nacional Eleitoral, aprovou-o na sua Sede Nacional em Luanda reunido em sessão plenária, na manhã desta quinta-feira, 30 de Junho de 2022, o Manual dos Membros das Assembleia de Voto e apreciou-o o relatório de constatação do material em reprodução e em falta.
Num audio divulgado recentemente nas redes sociais em que Tchizé dos Santos, filha do Ex-Presidente da República, é entrevistada a um jornalista, defendeu que, o estado saúde de seu pai é estável, afirmando que, José Eduardo dos Santos está vivo, todos os órgãos do seu corpo estão a funcionar normalmente.
Lisboa - A Familia de José Eduardo dos Santos, na pessoa da antiga Primeira dama Ana Paula dos Santos, a irmã Marta dos Santos Narciso, e alguns filhos, reúnem-se as 13 horas desta quarta-feira (29) com a equipa médica do Centro Teknon em Barcelona, para serem comunicados sobre a difícil tomada de decisão de se desligar a ventilação mecânica e o suporte de aminas para que o antigo Presidente da República possa sucumbir em paz.
Elisa Rangel Nunes, presidente da 2.ª Câmara do Tribunal de Contas, escreveu a 22 de Junho uma carta muito incisiva à presidente da instituição, Exalgina Renée Vicente Olavo Gambôa.
Tem vindo a decorrer na 1.ª secção da sala dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda o julgamento que opõe o presidente ausente do BAI, José Carlos Paiva, a Tânia de Carvalho. Tânia de Carvalho é acusada de difamação por José Carlos Paiva (ver aqui e aqui).
Com o objectivo de definir as linhas que vão orientar os angolanos residentes fora do país a participarem nas Eleições Gerais de Agosto próximo, o Plenário da Comissão Nacional Eleitoral, dirigido pelo Presidente, Manuel Pereira da Silva, esteve reunido nesta sexta-feira, vinte e sete de Maio de dois mil e vinte e dois, na sua quinta sessão ordinária, onde analisou e aprovou o Regulamento sobre a Votação no Exterior.
Eco do Partido
Campo do militante
Segundo o Club-k na sua edição desta terça-feira, 03 de Agosto de 2021, se fosse vivo, Jonas Savimbi faria hoje 87 anos. A falta de água potável, de estradas e de saneamento básico sempre foi atribuída ao fundador da UNITA. Houve alguma mudança em Angola desde que o líder da oposição morreu?
No limiar do ano 2001, Jonas Savimbi tinha um plano de paz bem assente e por isso chamou para ir ao seu encontro o General Lukamba Gato que se encontrava nas áreas do Lwandu (a Sudeste da província de Malanje), para em conjunto com o General Dembo, Mais Velho A. Sakala e os outros membros da Direcção do Partido e das FALA que já se encontravam na caravana presidencial, e os representantes no exterior esmiuçarem e materializarem esse plano.
Intolerância
Palavra do Presidente
Adalberto Costa Júnior disse recentemente em Grande Entrevista à Voz da América na sua deslocação ao país mais poderoso do mundo, no quadro da busca de observadores internacionais ao processo eleitoral angolano e transparência nas eleições marcadas para 24 de Agosto de 2022, tendo aconselhado a todos os cidadãos maiores registados para o voto a irem aos BUAPs antes das Eleições para a verificação dos seus nomes para terem a certeza onde vão votar.

Durante a entrevista o Presidente da UNITA falou também sobre vários aspectos da actualidade política nacional.

“É o momento de cada pessoa assumir o futuro depende de si próprio, de ir votar. Primeiro: de ir aos BUAPs, que ainda estão abertos e verificar o ses nome. Porque, o governo a não publicar as listas, como diz a lei, e a lei é claríssima; e mais uma vez fica muito mal ao governo ter ministros que são professores universitários e que dizem que, lá onde diz publicação, não significa publicação. Portanto, veja isto. Mas é preciso irem verificar os seus nomes para terem a certeza onde vão votar e depois tomarem conta do vosso voto”.

Quanto os protestos verificados à 30 metros das instalações do Tribunal Constitucional, na entrega da lista das candidaturas da UNITA para as eleições gerais em que alguns jovens manifestaram-se contra alguns nomes, o Líder da maior força política refutou a afirmação de que os manifestantes sejam militantes do partido que lidera.

“Não houve nenhuma manifestação. Veja este pormenor, o que é interessante de ver: a Lei em Angola proíbe manifestações em frente e na proximidade dos órgãos, mas aquelas manifestações que são autorizadas, já se diz quem as organizou, foi o MPLA. E, portanto, não se tratam de militantes da UNITA. Esta é uma realidade de Angola, são os gabinetes de acção psicológica, da presidência, enfim. Porque estavam mesmo a frente, à 30 metros de uma instituição. Portanto, é uma absoluta ilegalidade”.

Para o responsável partidário, os seu partido teve, “a coragem de submeter uma lista que abriu espaço a outras realidades políticas, abriu espaço a sociedade civil; o que vem demonstrar que a UNITA está madura, está preparada para trabalhar com os diferentes, e nós temos dito, e estamos a fazer”.

O Presidente da UNITA esclareceu que a lista de candidatura que deu entrada ao Tribunal mereceu consulta dos órgãos do partido.

“A opção de dialogar com outros partidos, e o caso de Abel não é um caso distinto. Dialogar com outros, dialogar com a sociedade, e abrir o espaço do partido para esta participação, sem dúvida obriga antes da coragem, consulta às instituições. E, nós fomos sempre muito cuidadosos e fomos permanentemente consultado o congresso: a Comissão Política, o Comité Permanente. E, portanto, este é o resultado de muita votação e de auscultação interna”.

O Presidente da UNITA defendeu que, o seu partido no poder fará diferente do actual partido no governo, para tal apelou o voto dos angolanos no seu partido.

“Acima de tudo o cidadão votar na mudança, porque a continuidade já provou aquilo que é capaz e aquilo que não quer fazer, depois de estar 46 anos no poder. E, há quem diga: “não é verdade, porque houve a guerra”, ok, então vamos dizer: depois de 20 anos de paz, com orçamentos multimilionários, não se transformou o país na dimensão que esses orçamentos permitiam, chegar a um momento de pré-campanha, e só estar a fazer promessas; em vez de estar a fazer os balanços do que se fez só há promessas, é altura de facto de mandar este governo para casa para ganhar respeito e sensibilidade ao seu povo”.

“A UNITA fará mesmo diferente, porque nós temos de facto estado em contacto de muito intimidade com o povo, isso vê-se nas múltiplas imagens que estão nas redes sociais”.

Para Adalberto Costa Júnior, “Há também uma geração que tem uma cultura absolutamente de um estado controlador, onde asfixia a iniciativa privada. Enquanto esta geração se mantiver ali, é impossível fazer a diversificação da economia. É impossível ter a economia de mercado”.
grupo parlamentar 
Excelência, Senhor Presidente

Excelências

Chegamos praticamente ao fim de mais uma legislatura e é hora de balanço. É um momento apropriado para cumprimentar democraticamente todos os colegas desta Assembleia, de todas as bancadas, pelo trabalho comum que desenvolvemos, pelo trabalho que não fizemos e deveríamos ter feito e também pelos momentos que vivemos em harmonia, a procurar construir a unidade na diferença.

Gostaríamos de saudar também a memória dos colegas que iniciaram connosco a legislatura, mas que partiram, infelizmente, para a outra dimensão da vida. Inclinamo-nos respeitosamente perante a memória dos Deputados Amílcar Kolela, Raul Danda, Vitorino Nhany, Mendes Bartolomeu, José Carlos Ilenga, Adérito Kandambu, Gabriel Hilifavali, Almerindo Jaka Jamba e João Marques Ntiama. espero ter mencionado todos.

Senhores deputados, Prezados colegas:

Durante o mandato, os angolanos não puderam beneficiar da actividade fiscalizadora da Assembleia Nacional à boa execução das leis pelo Executivo. A vida da maioria das famílias piorou em relação a 2017. E não piorou por causa da pandemia, mas principalmente por causa da incompetência do Governo, das promessas não cumpridas e dos constantes actos de agressão à Constituição e ao Estado de direito democrático.

Logo na investidura, o Titular do Poder Executivo prometeu à Nação que a Constituição seria a sua bússola de orientação e as leis o seu critério de decisão. O Senhor Presidente disse, e cito: “Neste novo ciclo político que hoje se inicia, legitimado nas urnas, a Constituição será a nossa bússola de orientação e as leis o nosso critério de decisão. A construção da democracia deve fazer-se todos os dias”,

Infelizmente, os direitos, liberdades e garantias dos angolanos, protegidos pela Constituição, foram sistematicamente violados, amiúde por ordens do Senhor Presidente.

A liberdade de imprensa, o direito de sufrágio, o direito a julgamento justo e conforme, a garantia do funcionamento independente do serviço público de rádio e de televisão, o direito dos partidos políticos a igualdade de tratamento por parte das entidades que exercem o poder público, o direito a um tratamento imparcial da imprensa pública e o direito de antena, de resposta e de réplica política, estão entre os direitos violados com a cumplicidade de quem jurou protegê-los.

O Senhor Presidente afirmou ainda, e cito: “Assumo desde já o compromisso de executar as minhas promessas eleitorais, com políticas públicas que vão ao encontro dos anseios dos cidadãos e com uma governação inclusiva, que apele à participação de todos os angolanos”. Porém, a realidade revela que a lista das promessas não cumpridas não é curta: o Estado de direito regrediu; a democracia ficou asfixiada; o pluralismo e o contraditório desapareceram do serviço público de rádio e televisão. Contrariamente ao prometido, a atitude do Executivo perante os problemas da Nação,passou a ser orientada pela cor política dos envolvidos e pelos interesses particulares da classe dominante, relegando para segundo plano o interesse nacional e a defesa do bem comum.

Contrariamente ao prometido, o país não cresceu. Cresceu, sim a inflação, cresceu a dívida pública a níveis insustentáveis e cresceu também a criminalidade, quer em qualidade, na sofisticação dos crimes de colarinho branco, quer em quantidade, quer na proximidade à Cidade Alta, tendo chegado à Casa de Segurança do Presidente da República.

Contrariamente ao prometido, não se verificou o aprofundamento do Estado Democrático de Direito. Aprofundou-se, sim, o descrédito pelas instituições públicas, com destaque para o Conselho Superior da Magistratura, o Ministério da Administração do Território, o Tribunal Supremo e para a Comissão Nacional Eleitoral.

Além disso, foi prometido aos angolanos que, no decurso deste mandato, o Estado procederia à implantação progressiva das autarquias, reforçando e aprofundando assim a autonomia e o controlo local sobre a execução de políticas públicas. Chegamos ao fim do mandato e as autarquias não foram implementadas. A execução do PIMM no lugar das autarquias constitui uma fraude à democracia. E Porquê?

Porque havendo dinheiro para financiar projetos, o poder político preferiu violar o direito de participação política dos cidadãos e não partilhar a gestão desses fundos com cidadãos de outras cores políticas, que deveriam ser eleitos pelos membros das autarquias, nos termos da Constituição, para conceber e gerir tais projetos no quadro da autonomia local. Tendo o Executivo prometido uma governação inclusiva e participativa, acabou por fazer uma governação hegemónica do território das autarquias, sem mandato das comunidades locais, violando a Constituição e bloqueando o exercício integral da cidadania.

De igual modo, não houve maior aproximação aos sindicatos e às ordens profissionais, às organizações não-governamentais e a alguns grupos de pressão, enquanto parceiros do Executivo. Nem o executivo demonstrou possuir capacidade suficiente de diálogo para concretizar a permanente renovação dos sagrados laços do contrato social estabelecido entre governantes e cidadãos, como prometeu.

Por outro lado, foi prometido aos angolanos que a necessidade de transparência na actuação dos serviços e dos servidores públicos, bem como o combate ao crime económico e à corrupção que grassa em algumas instituições, em diferentes níveis, constituiria uma importante frente de luta a ter seriamente em conta, durante o mandato.

Chegados ao fim do mandato, verifica-se que o combate à corrupção política e eleitoral, ainda nem começou. Durante o mandato, vimos alguns sinais do combate à corrupção financeira, mas sendo esta uma consequência da corrupção política e eleitoral, é esta que deve ser combatida primeiro. Vemos com preocupação que esta raiz da corrupção angolana de alta hierarquia continua protegida e inatacável. As mesmas práticas de desvio de recursos públicos para fins partidários, compra do voto, corrupção sobre o eleitor, contratação da INDRA, captura da CNE e bloqueios insustentáveis à criação de comissões de inquérito para apurar factos, reforçar a transparência e cimentar a confiança.

A estrutura do Executivo não foi reduzida, como prometido, e, consequentemente, não se conseguiu evitar o esbanjamento e o desperdício de recursos.

Os cerca de 36 programas sociais em curso, podem ajudar a mitigar de certa forma a pobreza de algumas famílias, mas não eliminam as suas causas estruturais nem reduzem os efeitos das desigualdades e do subdesenvolvimento. Os recursos alocados para as transferências monetárias, para os programas de geração de trabalho e renda e de ampliação da infraestrutura, dos serviços sociais, da oferta de bens e da capacidade institucional, incluindo doações, são uma gota de água quando comparados com os desvios estruturais que uma minoria faz do erário por via da corrupção de alta hierarquia. Este quadro, aliado ao desinvestimento na educação de qualidade para as maiorias, inviabiliza a longo prazo o desenvolvimento harmonioso do País e periga a paz social, porque rouba o futuro à juventude e produz desesperança.

Minhas senhoras e meus senhores

O próprio desempenho desta Assembleia Nacional poderia ter sido melhor. Aprovamos muitas leis, mas fiscalizamos pouco. O Regimento também precisa de reformas, porque permite que o arbítrio e o casuísmo governem o tratamento a dar às iniciativas legislativas dos deputados e do governo. O formato dos debates não produz ainda resultados tangíveis para o desenvolvimento da cultura democrática. O arbítrio ou o princípio instrumental da maioria ainda podem ser utilizados para bloquear desnecessariamente a admissão, agendamento ou discussão de qualquer iniciativa legislativa e fiscalizadora que não provenha do Partido Estado, transformando a vontade da maioria em tirania, muitas vezes revestida de desvios de poder e de bloqueios à concretização da Constituição. Pedidos reiterados de audições parlamentares ou inquéritos a denúncias de casos concretos de violação dos direitos humanos, corrupção e de desvios de poder na Banca, na Sonangol ou na CNE, são bloqueados, sem fundamentação. A concretização efectiva do direito que a Constituição consagra aos partidos políticos à igualdade de tratamento por parte das entidades que exercem o poder público; e do direito a um tratamento imparcial pela imprensa pública, já deveria ser uma realidade. Só não o é, porque a admissão do projeto de Lei Sobre o Exercício do Direito de Oposição Democrática, que a UNITA submeteu ao Parlamento, por duas vezes só na presente legislatura, foi liminarmente recusada, por duas vezes, sem fundamentação adequada, ao arrepio dos princípios da clareza, da suficiência e da congruência, que orientam a fundamentação dos actos administrativos dos poderes públicos.

A não regulação por lei do regime jurídico para o exercício do direito de oposição democrática consagrado no número 4 do artigo 17.º da CRA, que inclui o direito de resposta e de réplica política às declarações do Executivo, consagrado aos partidos políticos representados na Assembleia Nacional no artigo 45.º, n.º 2 da CRA, constitui um sério atentado contra o Estado de direito democrático e uma inconstitucionalidade por omissão.

E assim, por causa do arbítrio, o País está privado da consagração legal do diálogo institucional regular que a democracia estabelece entre o Titular do Poder Executivo do Estado e os titulares do direito de oposição democrática na sociedade. Está privado de um mecanismo universal de garantia da participação dos cidadãos na vida pública e do reforço da unidade nacional; o país está privado de uma forma segura e civilizada de garantir a concretização da Constituição, a continuidade do Estado e a estabilidade do País.


Senhor Presidente,

O País prepara-se para eleições, mas persistem dúvidas legítimas relativas à conformidade da solução tecnológica adquirida à Constituição e à lei. Solicitamos à própria CNE o acesso legal aos documentos pertinentes, ao abrigo da Lei de Acesso aos Documentos Administrativos (Lei n.º 11/02, de 16 de Agosto). A lei confere à CNE dez dias para responder. Passaram-se mais de 100 dias, e a CNE não forneceu os documentos, nem explicou as razões que lhe assistem para infringir a lei. Solicitamos depois à própria Assembleia Nacional, a aprovação de uma audição parlamentar ao Senhor Presidente da CNE e a criação de uma comissão eventual da Assembleia Nacional para encetar um diálogo institucional construtivo com a CNE para esclarecer dúvidas, fortalecer a confiança dos cidadãos no processo eleitoral e acompanhar a boa execução da lei eleitoral. Até hoje, nem o Digno Presidente da Assembleia Nacional, nem os colegas da maioria parlamentar se dignaram responder a esta solicitação. Esta apatia contrasta com o tratamento célere que outras iniciativas têm merecido e não dignifica a Assembleia Nacional nem credibiliza o processo eleitoral, organizado pela maioria parlamentar e sua derivação, a Comissão Nacional Eleitoral-

Povo angolano:

Em 2017, ao consagrar como política pública o lema «corrigir o que está mal», o MPLA reconheceu em parte ser o principal autor moral e material das práticas sistêmicas de peculato, improbidade e de corrupção. Durante anos, pediram-nos as provas das denúncias que fazíamos desta corrupção gangrenosa. Foi preciso um membro do MPLA bater na mesa, assumir que a corrupção está aí e decidir combatê-la. Agora, as mesmas pessoas que gritavam a quatro ventos que não existiam provas, que a corrupção existe em todo o lado, reconhecem finalmente que a corrupção está aí. Porém, tal reconhecimento não lhes confere capacidade nem legitimidade para restaurar a República e dirigir o desenvolvimento social. Porque simplesmente esgotaram e já não conseguem. O povo diz que JÁ CHEGA. A hora é de mudança. É de alternância.

Mas, como a soberania reside no povo que a exerce através da escolha de seus representantes, cabe-vos responder, no dia 24 de Agosto, à convocação do Senhor Presidente da República, o actual Titular do Poder Executivo, para exercer novamente o poder de soberania e escolher o destino de Angola para os próximos cinco anos.

Muito obrigada.
L.i.m.a - actividades
As preletoras das organizações políticas femininas – OMA, LIMA, AMA, MB, e MPA – do MPLA, UNITA, FNLA, Bloco Democrática e CASA-CE, respetivamente abordaram este sábado,18 de Junho de 2022, o tema: “O Contributo das Organizações Políticas Femininas na promoção da Paz e Reconciliação durante e após as o processo eleitoral” em debate Promovido pelo Movimento Cívico “Mudei”, decorreu no Auditório da Paróquia de São Paulo, Cónego Manuel das Neves, em Luanda.

Na ocasião, as líderes e representantes das Organizações femininas apontaram o diálogo, a tolerância, e a educação, a igualdade de tratamento da imprensa pública na divulgação das actividades das diferentes organizações femininas, assim como a unidade entre outros elementos apresentados como via para a promoção da paz e reconciliação durante e após as eleições de 24 de Agosto de 2022.

Maria Bulenvu, Secretária Nacional para a Informação da AMA – Associação da Mulher Angolana, ligada a FNLA, realçou que o seu partido e a sua organização Feminina é pela paz e unidade.

“Nós apelamos pela paz, pela unidade, e não podemos nos meter em conflitos, mesmo a juventude que nós temos conversamos sempre em evitar os conflitos, mas o diálogo é essencial”.

A membro responsável da AMA entende que, “apesar de que infelizmente é isso, mas nós da FNLA prezamos sempre pela paz e pedimos que continuemos a desenvolver o diálogo e o entendimento, para que possamos encontrar e alcançar a almejada paz, que é verdadeira. Nós temos a paz das armas, mas ainda temos um grande problema que nos falta e nos resta que é a paz mental. Nós precisamos de ter a tranquilidade, quer na área social, na área económica, em toda nossa história também. Nós precisamos nos rever todos nós”.

Esmeralda Gomes, que representou a Liga da Mulher Angolana – LIMA, braço feminino da UNITA, o maior partido na oposição angolana, falou do contributo da sua organização na mobilização ao registo eleitoral oficioso que o país realizou.

“Na verdade, houve muita dificuldade de atingir aquelas áreas com acesso difícil, mas conseguiu-se, porque se formos a olhar para os resultados dos resultados feitos, mas aquelas senhores que tiveram que se deslocar em grandes distâncias, elas conseguiram fazer o registo, essa foi uma das contribuições da nossa organização”, disse a representante feminina, realçando a possibilidade do país em organizar eleições num clima de festa.

“E, nós cá em Angola temos a possibilidade de organizar as eleições num clima de festa, e é importante pois que os intervenientes demonstrem essa vontade, e quem não sabe, as eleições são festa; é uma festa é um exercício cívico”.

Maria de Lourdes, representante da OMA – Organização da Mulher Angolana afecta ao partido no poder, o MPLA, disse que a organização tem como missão educar.

“O mais importante aqui é dizer que, a nossa OMA tem como missão mesmo: educação”, disse, acrescentando que “o maior contributo da OMA, de nós todas que estamos na OMA é educar, porque nós partilhamos conhecimento. Nós temos como foco principal nas meninas, e obrigação de ensinar as mamãs na alfabetização”.

Para a também Deputada à Assembleia Nacional, “se a agricultura é a base, e a indústria é o factor de desenvolvimento, a educação é a essência do ser humano. Porque, a educação não é instrução. Muitas vezes debatemos a questão da instrução: não. A educação pode ser até uma analfabeta, vai conseguir educar”.

A Secretária Nacional da Mulher Bloquista (MB), Valéria Americano, disse que o maior foco da sua organização está na mulher jovem e crianças, tendo manifestado igualmente preocupação pela fraca participação das mulheres, e particularmente a jovem mulher na vida política do país.

“O nosso maior foco está ligado para a jovem mulher e para as crianças. É esse o nosso objectivo”, afirmou acrescentando que, “a juventude é a maioria em Angola, e as mulheres são a maioria”.

“A jovem mulher é a maioria. Ainda assim entendemos que há um certo desconhecimento daquilo que tem sido a participação da mulher na vida política, porque são os políticos que tomam as decisões, e são os políticos que vão atrás dos problemas para, então assim, poderem solucionar os mesmos problemas”, defendeu, considerando por isso, ser extremamente importante trabalhar “com as jovens mulheres”, e confirmou a realização de inúmeras actividades pelo seu partido e organização feminina, mas lamentou a não transmissão das mesmas pelos meios de comunicação social.

“E, nós realizamos actividades: quer o partido, quer a própria juventude quer a mulher bloquista; realizamos actividade. Porque os partidos políticos precisam realizar acção, por isso é que estamos aí como políticos, para causar impacto social. Mas, infelizmente em Angola, os partidos políticos realizam actividade, convocam os órgãos de comunicação social, infelizmente esses órgãos não aparecem para fazer a cobertura da mesma actividade”.

Carminda Vita, da Mulher Patriótica de Angola (AMP) afecta à CASA-CE, realçou a necessidade da Unidade entre as mulheres em geral e em especial, de todos os partidos.

“A Mulher Patriótica tem o lema de unirmos Angola, não a mulher da coligação CASA-CE, mas sim as mulheres de todos os partidos. Porque, a finalidade é a mesma. Nós sabemos que o nosso país está um bocadinho dentro de questões de organização. Porque, se nós nos unirmos muitas coisas utrapassaremos, diante dessa situação”.

A líder a representante da CASA-CE defendeu que a intolerância ainda é uma realidade no país.

“Eu discordo que há paz. Ainda assim há confusão. Há dias, nós estávamos a colocar as nossas bandeiras, alguns membros foram apedrejados, apareceu uma Secretária do MPLA no Kilamba Kiaxi a meia noite, lá ela disse que, não se podia colocar uma bandeira, porque já existia a bandeira do MPLA. Aquilo foi uma confusão terrível”.

A representante da OMA apelou a sensibilização dos filhos e chefes de família por parte das mulheres, para a atitude de tolerância de modo a evitar-se quaisquer situações de confusões durante e após as eleições.

“Eu sou daquelas que não estava aqui em 1992, infelizmente, mas nas outras eleições que, se seguiram percebi que, todo angolano tem responsabilidade em não aceder qualquer chamada para haver revoluções, para haver confusões, para haver alvoroços, e nós mulheres temos que educar os nossos filhos, os nossos maridos para não irem por esse caminho”.

Esmeralda Gomês, da Liga da Mulher Angolana, manifestou vitória do seu partido nas próximas eleições, ante as declarações da representante do partido no governo, que manifestou a continuidade no poder do seu partido MPLA.

A membro da LIMA realçou ainda o espírito de sensibilidade e de conselheira dentro dos lares, por parte das mulheres, para a promoção de um ambiente de paz e harmonia na realização das eleições gerais de 24 de Agosto.

“Vamos partir para esse jogo de futebol, podemos assim o considerar, mas com o objectivo de ganhar. E, a mulher é piedosa, a mulher é virtuosa, a mulher é agradecida. E, então quero cá disser que, o nosso senso de maternidade, de esposa e de dona de casa vai prevalecer; e isto é o que nos dá este espírito de paz, tranquilidade, de tolerância, e vamos transmitir essa tolerância de mãe para os nossos filhos, para os nossos maridos. Porque, nós é damos a vida, nós é que geramos. E, então, a primeira e a última palavra é nossa, como mulher”, assegurou a representante da LIMA.
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Obra de Isaías Samakuva
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Sexta-feira, 01 de Julho de 2022