UNITAANGOLA
Fonte : Unitaangola
Análise do Momento Político do País - Franco Marcolino Nhany
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CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
15 DE FEVEREIRO DE 2017

Análise do Momento Político do País

Minhas senhoras e meus senhores!
Caros jornalistas!
Permitam-me que manifeste o meu apreço pela pronta disponibilidade dos órgãos de comunicação social aqui presentes, em terem aceite o nosso convite, mesmo a tangente.

Antes de mais, devo referir que em nome da direc√ß√£o do Partido, inclinamo-nos diante das v√≠timas da trag√©dia do U√≠ge, por ocasi√£o do jogo inaugural do Girabola esperando, contudo, que sejam apuradas o mais rapidamente poss√≠vel as devidas responsabilidades e sejam tornadas p√ļblicas, porquanto, os relatos indicam que a pol√≠cia ter√° contribu√≠do, de alguma forma, para o p√Ęnico, ao utilizar g√°s lacrimog√©neo para dispersar a multid√£o impaciente junto dos port√Ķes do est√°dio. Tamb√©m testemunhas falam da pris√£o de jornalistas que tentavam cobrir com isen√ß√£o a trag√©dia do U√≠ge, no fim-de-semana. Sabe-se que um dos jornalistas que testemunhou o evento foi detido, o que atenta contra a liberdade de imprensa.

Minhas senhoras e meus senhores!
Caros jornalistas!
Convido-vos a reflectirmos em conjunto sobre o momento pol√≠tico do pa√≠s que √© dominado pelo processo eleitoral que, diga-se, em abono da verdade, tem sido caracterizado por ac√ß√Ķes de pr√©-campanha eleitoral, algumas delas j√° v√£o evidenciando a viola√ß√£o de requisitos essenciais das regras e princ√≠pios, como seja a igualdade de tratamento, tal como consagrado no Art. 7¬ļ da Lei n¬ļ22/10 de 3 de Dezembro ‚Äď Lei dos Partidos Pol√≠ticos.

Por tudo quanto vemos, ouvimos e constatamos, o pa√≠s continua ref√©m de uma oligarquia de comerciantes, que se apresenta como pol√≠ticos. Esta oligarquia utiliza o poder p√ļblico, para agredir as liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de imprensa. O pr√≥prio servi√ßo p√ļblico de r√°dio e de televis√£o, foi transformado pela oligarquia em m√°quina de propaganda do Partido-Estado.

O Partido-Estado √© mesmo o patrono da corrup√ß√£o em Angola. √Č ele que promove a pr√°tica da corrup√ß√£o como politica oficial do pa√≠s. Corrup√ß√£o na gest√£o das finan√ßas p√ļblicas; corrup√ß√£o nos acessos √† universidade p√ļblica; corrup√ß√£o na pol√≠cia; corrup√ß√£o nos servi√ßos de identifica√ß√£o civil; corrup√ß√£o nos servi√ßos de √°gua e luz; corrup√ß√£o na gest√£o da Caixa de Seguran√ßa Social; corrup√ß√£o eleitoral. Sim, vejamos, a democracia √© tamb√©m um jogo, como tal, obedece a regras e princ√≠pios que devem ser cumpridos com rigor pelas partes envolvidas.

O árbitro, como juíz do jogo, tem de ser equidistante e imparcial, portanto, isento de qualquer conotação com qualquer das partes do jogo.
Acontece, por√©m, que no jogo democr√°tico para a disputa eleitoral, em Agosto de 2017, o MAT, cujo Ministro √© o Dr. Bornito de Sousa √©, assumidamente, o respons√°vel pela organiza√ß√£o do registo eleitoral, concomitantemente, o Dr. Bornito de Sousa √© candidato a deputado a assembleia nacional, ocupando a segunda posi√ß√£o na lista do seu Partido MPLA, o que lhe habilita a ocupar a pasta de vice-presidente da rep√ļblica, na eventualidade de vit√≥ria do MPLA nas urnas.

Os angolanos n√£o se devem distrair com a m√ļsica que a oligarquia est√° a tocar nos √ļltimos dias sobre uma eventual mudan√ßa trazida por ela mesma. O facto de o l√≠der da oligarquia afirmar que n√£o se candidata √† elei√ß√£o n√£o vai, por si s√≥, mudar nada. O que vai mudar Angola √© o voto do povo para tirar a oligarquia toda, n√£o apenas uma pessoa. Quem faz parte da oligarquia que se apoderou dos recursos de Angola para empobrecer os angolanos; uma pessoa que alinha na corrup√ß√£o, n√£o vai combater a corrup√ß√£o, e por isso n√£o pode ser o Presidente que os Angolanos precisam para fazer a mudan√ßa.

Nos √ļltimos tempos temos sido, frequentemente, questionados sobre a pseudo-sucess√£o de Jos√© Eduardo dos Santos por Jo√£o Louren√ßo. Quanto a n√≥s a posi√ß√£o √© clara:
O Senhor Presidente do MPLA, decidiu sair sem sair. Continua a dirigir o MPLA na sua lógica de que é o Partido que inspira a acção do governo e, tanto é assim que, por aberração, os Governadores ou Administradores são, antes demais, primeiros Secretários do MPLA; o Senhor Presidente do MPLA continua a impor,a todo custo, a sua vontade ao MPLA, mas quem executa a sua vontade passa a ser uma outra pessoa, que não foi eleita por sufrágio directo e secreto, como mandam os seus estatutos e os princípios democráticos universalmente aceites. Esta pessoa que foi imposta ao MPLA chama-se João Lourenço.

N√£o haja ilus√Ķes! Esta pseudo-sucess√£o enquadra-se apenas na lista de candidatos a deputados do MPLA, e n√£o na presid√™ncia do MPLA, e muito menos na presid√™ncia da Rep√ļblica porque, nas Rep√ļblicas, n√£o h√° sucess√Ķes, h√° elei√ß√Ķes e as elei√ß√Ķes em Angola ser√£o em Agosto de 2017. E ali sim, haver vamos, porque o agravamento da mis√©ria, do desemprego galopante, da m√° qualidade dos servi√ßos de sa√ļde e educa√ß√£o, al√©m de outros males que v√£o enfermando a sociedade, provocados por este governo caduco e mentiroso que, permanente e sistematicamente, viola os direitos do povo, s√£o a realidade do pa√≠s que temos. E o MPLA j√° n√£o pode melhorar o que ele mesmo estragou. Portanto, a heran√ßa que o Presidente da Rep√ļblica, ainda em fun√ß√Ķes, vai deixar ao pa√≠s, depois de 38 tenebrosos anos de corrup√ß√£o e m√° gest√£o, √© um pa√≠s com bancos falidos, na bancarrota, institui√ß√Ķes corrompidas, estradas esburacadas, um pa√≠s governado por comerciantes que obrigam o povo a pagar cada vez mais caros os produtos da cesta b√°sica, s√≥ para aumentarem os lucros das suas empresas. A heran√ßa que o MPLA deixa para os angolanos, √© um pa√≠s rico com mais de 20 milh√Ķes de pobres.

Os Angolanos vivem a expectativa das elei√ß√Ķes para, enfim, conseguirem a altern√Ęncia que a UNITA se prop√Ķe realizar, devolvendo a dignidade do povo angolano, bem como o resgate dos valores mais elementares, na cria√ß√£o de emprego e promo√ß√£o da solidariedade nas fam√≠lias e nas institui√ß√Ķes, de forma a garantir igualdade de oportunidades e justi√ßa social.
Convir√° igualmente ressaltar que, cada vez mais que nos aproximamos da data das elei√ß√Ķes, que esperamos sejam convocadas nos termos da Constitui√ß√£o, vamos, e com muita apreens√£o, constatando actos de intoler√Ęncia pol√≠tica no seio das popula√ß√Ķes, contra todas as expectativas de paz e estabilidade nacional, para propiciar um ambiente de tranquilidade, transpar√™ncia e seguran√ßa do processo eleitoral, com vista a evitar o sindroma do medo, hesita√ß√£o e a consequente absten√ß√£o, o que seria danoso para o processo.

Vejamos alguns casos mais recentes:
Na aldeia de Kondamba, comuna de Chipeio, Municipio de Ekunha, Provincia do Huambo, a 11 de Fevereiro de 2017, militantes do MPLA, numa operação combinada com a Defesa Civil, aproximaram-se do local da concentração de pessoas durante o acto político da UNITA, programa devidamente informado às autoridades, aproximaram-se dizia, com pedras, paus, catanas e azagaias atiraram-se contra os militantes indefesos da UNITA, e causaram ferimentos graves a 10 pessoas e danos materiais avultados.

Outro facto aconteceu no Municipio de Kamanongue, Provincia do Moxico, em que no dia 13 de Fevereiro de 2017, o 1¬ļ Secret√°rio Municipal do MPLA e Administrador de Kamanongue, Senhor Zaqueu Isaac, reuniu todos os Partidos da oposi√ß√£o e sobas, tendo ordenado de forma determinante a retirada de todos os s√≠mbolos dos Partidos Politicos em refer√™ncia. A Policia Nacional e os Sobas foram chamados a envolverem-se na opera√ß√£o, sob pena de ficarem sem os seus subs√≠dios. Apenas para citar alguns factos e acontecimentos recentes.

Minhas senhoras e meus senhores!
Caros jornalistas!
De entre v√°rias estrat√©gias que o regime do MPLA vem engendrando, a mando do seu Presidente, destaca-se a campanha de aliciamento e instrumentaliza√ß√£o de ex-militares, quadros e dirigentes da UNITA com a finalidade de os levar a abandonarem o seu Partido e integrarem as fileiras do MPLA. O estratagema consiste no simulacro de oferta de emprego para concentrar ex-militares que, surpreendentemente, viram chegar jornalistas da TPA e da RNA para o registo audiovisual de pretensos membros da UNITA que se passavam para o MPLA. Noutros casos, a farsa contou, al√©m de emprego, com promessas v√£s de grandes somas de dinheiro, casas e viaturas, em troca de declara√ß√Ķes gratuitas na Televis√£o e na R√°dio p√ļblicas, contra o seu Partido e os seus dirigentes.
Muitos dos compatriotas enganados e utilizados nesta campanha hedionda, acabam por regressar √† causa em que sempre acreditaram, com relatos repugnantes da sua triste experi√™ncia. √Č o caso vertente dos companheiros Nicodemo Domingos Miguel e Fonseca Manuel Sabalo que decidiram de livre vontade reingressar nas fileiras da UNITA.
Como os factos falam por si, coloco a vossa disposição os referidos companheiros para, na 1ª pessoa, pronunciarem-se sobre o que viram, viveram e têm para contar.

Muito obrigado pela atenção.
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