UNITA - ANGOLA
Fonte :
KUP
Amnistia Internacional: Angola est√° a viver ‚Äúretrocesso‚ÄĚ de Direitos Fundamentais
Policia Reprime Manifestação (2)24-10-2020.jpg
Em entrevista à DW, o diretor-executivo da Amnistia Internacional em Portugal pediu a responsabilização das autoridades pela violência em Angola. Lembrou que para além de Luanda, há outro epicentro de repressão: Cabinda.

Angola est√° a viver um ‚Äúretrocesso‚ÄĚ dos direitos humanos com a crescente repress√£o das autoridades contra as manifesta√ß√Ķes pacificas da popula√ß√£o. √Č a avalia√ß√£o que a Amnistia Internacional faz depois do pa√≠s assistir a mais um epis√≥dio de viol√™ncia policial contra cidad√£os na quarta-feira (11.11), dia em que o pa√≠s celebrou 45 anos de independ√™ncia.

Pelo menos uma pessoa morreu, dizem os organizadores da marcha. Uma informação refutada pela polícia. A Amnistia pede a responsabilização das autoridades responsáveis pela violência.

Em entrevista √† DW √Āfrica, o diretor-executivo da Amnistia Internacional em Portugal, Pedro Neto, lembrou que, para al√©m do foco de repress√£o policial que se vive em Luanda, √© importante n√£o esquecer tamb√©m a repress√£o que se vive em Cabinda.

Em relação à situação preocupante dos crescentes ataques em Cabo Delgado, norte de Moçambique, Pedro Neto alertou que o Governo tem de mudar de narrativa.

Pedro Neto
Pedro Neto, diretor-executivo da Amnistia Internacional em Portugal

DW √Āfrica: Como √© que a Amnistia Internacional avalia os √ļltimos acontecimentos em Angola?

Pedro Neto (PN): √Č uma grande desilus√£o porque, de facto, estamos a ver que toda a esperan√ßa no novo Governo ‚Äď que existiu aquando da tomada de posse e que houve at√© reuni√Ķes do Presidente Jo√£o Louren√ßo com ativistas da sociedade civil e de direitos humanos de Angola ‚Äď se est√° a esfumar. [Vemos isso] pela forma como o Governo e as autoridades policiais est√£o a lidar com a liberdade de express√£o e de manifesta√ß√£o pac√≠fica neste contexto da Covid-19, que n√£o pode ser usado como desculpa para reprimir a sociedade civil nem as suas reinvindica√ß√Ķes leg√≠timas e se o fazem dentro dos limites da liberdade de express√£o e de manifesta√ß√£o e de forma pac√≠fica. Lamentamos a viol√™ncia que tem existido na repress√£o que est√° a ser feita.

DW √Āfrica: Esta situa√ß√£o n√£o √© nova em Angola. Apesar de o Governo falar atualmente em medidas excecionais devido √† Covid-19, j√° houve outros epis√≥dios de repress√£o policial e deten√ß√Ķes arbitr√°rias nos √ļltimos anos. Angola estaria estagnada nesse estado de repress√£o de direitos fundamentais?

PN: Estagnada, por vezes com ligeiros avan√ßos, mas que se recuam rapidamente. Aquilo que estamos a ver agora √© um recuo e um retrocesso. De facto, h√° aqui epicentros que √© preciso destacar. Um √© Luanda, onde as pessoas n√£o veem conferidas a sua liberdade de manifesta√ß√£o e de legitimar e falar das preocupa√ß√≥es que sentem. Portanto, n√£o √© uma afronta pol√≠tica, nem √© aquilo que se via antes que era a aus√™ncia completa de liberdade de express√£o na luta pelo poder. S√£o reinvidica√ß√Ķes humanit√°rias quase. H√° outro epicentro, que √© pouco falado regularmente mas que n√£o nos podemos esquecer, que √© Cabinda. [L√°] as autoridades policiais e governamentais continuam a agir com completa impunidade, reprimindo a popula√ß√£o civil e com um ambiente que √© terr√≠vel de repress√£o e de persegui√ß√£o √†s pessoas.

DW √Āfrica: E que provid√™ncias devem ser tomadas para assegurar a liberdade de manifesta√ß√£o dos cidad√£os angolanos e a responsabiliza√ß√£o dos que est√£o a violar esse direito?

PN: Em primeiro lugar, as manifesta√ß√Ķes t√™m de ser permitidas. Neste contexto da Covid-19 t√™m de se dar condi√ß√Ķes para que as manifesta√ß√Ķes ocorram em seguran√ßa sanit√°ria. Em segundo lugar, compete ao Governo e √†s autoridades policiais garantir que essas manifesta√ß√Ķes possam ocorrer num ambiente salutar e pac√≠fico. Em terceiro lugar, tem que haver uma abertura no pa√≠s para a diversidade de opini√£o e o Governo n√£o pode tomar isto como uma afronta pessoal ou como uma tentativa de afrontarem o seu poder. As autoridades que usam excessivamente a for√ßa e torturam pessoas e at√©, neste caso, com viol√™ncia que leva √† morte, t√™m de ser responsabilizados. E esse √© um papel que cabe √† Justi√ßa administrar porque √© da√≠ tamb√©m que vir√° a confian√ßa da popula√ß√£o no seu Governo.

DW √Āfrica: Agora sobre Mo√ßambique, a situa√ß√£o em Cabo Delgado parece estar a deteriorar-se, numa altura em que chegam not√≠cias de novos massacres. A Amnistia tem estado a acompanhar esta situa√ß√£o?

PN: Sim, temos estado a acompanhar. N√≥s verificamos que os ataques, mesmo neste contexto de pandemia, est√£o a aumentar significativamente, pelos relatos de um massacre que ocorreu, em que levaram pessoas para um campo de futebol para as executarem. E, portanto, o Governo mo√ßambicano tem de dar aten√ß√£o a este assunto e tem de mudar a sua narrativa de ataque √†s organiza√ß√Ķes da sociedade civil e de tens√£o e repress√£o a jornalistas.

www.unitaangola.org
C:\Mes Sites\Unitaangola29122013\UNITAANGO_WEB\coqUNITA.jpg
 Publicidade
Obra de Isaías Samakuva
Ex-Presidente da UNITA (2003-2019)
Todos os direitos reservados
Secretariado da comunicac√£o e Marketing da UNITA
União Nacional para Indepedência Total de Angola
¬©  Copyright 2002-2020
Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020